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Posts com Tag ‘Sampa’

Sampa páscoa

É inevitável… uma viagem a Sampa sempre esbarra na poesia do improvável.

É justamente durante os feriados, quando a cidade esvazia e se veste de ares mais singelos, que os detalhes se fazem perceber com mais gosto.

Um passeio pela avenida Paulista revela sua ecologia lúdica com uma horta localizada no canteiro central disposta ao redor de uma circunspecta estátua sempre a postos. Imóvel em meio aos carros e a multidão que passa, permanece a estátua cercada por hortaliças e ervas as mais diversas, desde couve a hortelã, para temperar se não o almoço, certamente o humor e a reflexão. A placa “horta do ciclista” dá uma dica de quem se responsabiliza pela intervenção.

Na estação de trem os pianos dispostos em lugarem estratégicos convidam ao tocar, e para a alegria dos ouvidos alheios geralmente um passante presenteia o local com notas interessantes, como o jazz bem animado que pudemos ouvir sem aviso prévio.

No metro o inusitado ficou por conta do menino que, decidido, resolveu passar o dia devidamente vestido de prícipe, adjetivo bem apropriado para uma criança dessa idade. E assim também transitou em sua inocência real pelo Parque da Luz e por caminhos de contos e encantos que nenhum adulto saberia descobrir.

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minhas meninices – vide verso

na sequência dos sentidos

os registros visuais fazem seu percurso

e a vista que vislumbra o colorido grafite nos muros

busca nos recantos da memória a lembrança de Sampa

e os passeios pelo parque Ibirapuera

o início de tudo

os primeiros amigos

a construção do sobrado com seus tesouros de areia e brita

mangueiras cheias d´água em dias ensolarados

as chuvas  inesperadas

que em seus rompantes molhavam camisetas, sorrisos e bicicletas

(permanecendo todos orgulhosamente invictos)

as portentosas esculturas a céu aberto

as feiras de troca de brinquedos

a incrível gincana na escola

o irmão mais novo que nasceu e encheu o mundo de bençãos e o colo de carinho

o laguinho com girinos

as bucólicas vilas italianas

os primeiros livros de origami

o tamanho das árvores no parque Thrianon

a primeira visita a Bienal de artes

pessoas de todos os tipos e mesclas

uma avó cozinheira de mão cheia e um avô repleto de risadas acaloradas

as elegantes mãos de minha mãe fazendo batik

um pai muito engraçado

crianças passeando pelo quarteirão tocando tambor no dia da bandeira

o jardineiro mágico do jardim secreto da praça, povoado de fantasias e passarinhos

os finais de semana na praia

um cão feliz chamado Pablito