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Posts com Tag ‘pequetito’

bake a cake ou nosso bolo bolinho

Maçã, açúcar, baunilha,

farinha e cacau em pó.

Com isso o bolo fica gostoso,

mas para passar ao ponto “delícia”,

cá vai o nosso segredinho:

um ajudante pequenino

que em tudo se empenha sorrindo

e ao tirar o bolo do forno,

pra ele não há nenhum mais lindo…

luar

 

Anoitece redonda lua

é cheia

reviram-se as marés

rebatem as ondas

flutuam

águas internas

sentimentos

compaixão

gratidão

encontram-se no tempo

 

 

Ao ver duas imagens perto de um oratório, Dev Ji, prestando muita atenção na postura das mãos unidas em prece, comenta:

– Olha, mamãe, duas “Sim Senhoras” rezando! (vai ver, rezavam agradecendo a beleza da lua…)

risadinhas, risadelas e a coleção de tiradinhas

Quantas tiradinhas engraçadas ganho diariamente de presente de meu filho de 2 anos (e quase 3 meses), que literalmente “fazem meu dia”… As respostas são tão espontâneas e diretas que possuem uma graça natural.

Ao bater a cabeça em um canto da mesa, Dev Ji se saiu com essa:

– Nossa Senhola! Ôta batida.

(…)

Tocando compenetradamente seu pianinho de brinquedo para o avô,

recebe elogios por sua performance mais suave:

– Nossa, parabéns. Aonde você aprendeu a tocar piano assim?

– Aqui na sala.

(…)

Indagando a respeito de barbas e barbados:

– O vovô tem barba?

– Sim.

– O vovô é homem?

– Sim.

– O papai tem barba?

– Sim.

– O papai é homem?

– Sim. Homem tem barba.

– Eu sou mulher?

(…)

– Morde? Pica? Anda? Voa?

(perguntado a respeito dos insetos)

– Morde? Late? Pula? Dorme? Faz xixí?

(perguntado a respeito dos cachorros) 

 

 

* Dev Ji é apenas um apelido carinhoso, mas que diz muito a respeito dessa alma amada que enternece aqueles que diariamente estão a sua volta…

dois anos de idade e suas abstrações peculiares

 

Ah, meus dois aninhos…

amassar massinha,

fazer furinhos,

colocar palitinhos,

pensar em arte conceitual…

 

Pois eis que Dev Ji nos sai com essa:

o palitinho de cima é a chuva,

o de baixo, paralelo ao chão,

é o pé da chuva.

E ao tirar o palitinho da massinha,

ainda completou:

a chuva saiu…

 

Parece que as brincadeiras

estão se tornando cada vez mais complexas…

 

Você também poderá gostar de (you may also like):

o pequetito cresceu

Dev Ji, alma amada,

como você cresceu…

 

Tem pouco mais de dois anos agora,

e a sabedoria de uma vida de infância.

 

Dev Ji, alma amada,

você cresceu, eu sei.

Não é mais um pequetito.

 

Eu, sendo sua mãe,

muito resplandecente fico.

Com cada conquista,

com cada sorriso expresso no rosto de quem está ciente

de que deu um passo a mais, um passo a frente.

 

Aprender a firmar o pescoço,

a engatinhar, virar, sentar.

Quanto empenho, quanto esforço,

cada dia uma vitória do agora.

 

 

Você também se reconhece bem

nesse processo de ganhar seu espaço.

Afirma sorriso em grande abraço,

que cresceu,

que quer fazer o possível sozinho

e o impossível daqui a pouquinho.

 

Dev Ji, alma amada,

seus primeiros passos…

Ah, tanto se fala sobre os primeiros passos,

mas não há como negar a emoção absoluta da primeira corrida…

E os pulinhos? E a dança?

E largar o peito, começar a comer sozinho,

abandonar as fraldas,

subir nas cadeiras,

descer as escadas sem dar a mão,

descobrir como se acende e apaga a luz?

As palavras… ah, elas…

que colorido especial adquiriram ao longo desses 2 anos.

Nunca imaginei verdadeiramente

que delícia seria ouvir essa vozinha de criança

o risinho faceiro

a luminosa face de amor verdadeiro

seu “oi” em cochicho de ouvido

como o mais caloroso e alto grito de “eu te amo”

tudo expresso em olhar

impresso em sentido e sentimento

 

Dev Ji, alma amada

te amo em todas as línguas

te amo em todas as formas

que o amor sabe conhecer

 

barquinhos de casca de noz

 

talvez eu não tenha encontrado ainda

o universo na casca da noz

 

 

ou a agulha perdida em um palheiro

 

 

é bem possível mesmo

que nunca tenha visto um palheiro na vida

 

 

Talvez a emoção ainda persista

e meus oceanos desemboquem em muitas outras águas

 

 

E as pequenas delícias de simplicidade

me permitam um mergulho

na originalidade

 

 

Assim, rebrincando de inventar,

inventando de rebrincar,

cuidando de cuidado dobrado,

de mãe e filho, adulto-criança em mescla dança,

redescubro como é preciosa a casca de noz,

o pedacinho de feltro,

a agulha retorcida na ponta e colada com cuidado,

a poça formada após a última chuva,

o passeio matinal bem encapotado

a meia molhada no pé de tanto espirrar água pra cima

as risadas,

os momentos,

tudo e nada

O nascimento do minino Luluz

 

Para celebrarmos o Natal

com um pouco de delicadeza

foi criado um teatrinho

com bonequinhos de mesa

 

 

Uma narração suave

e a manipulação singela

contaram sobre o menino,

os reis magos, a estrela,

sobre carneiros e o burrinho

 

 

os pequenos marionetes de feltro

foram costurados a mão,

preenchidos de boas intenções,

e impulsionados pelo desejo

de se conectar com o lado mágico que existe

no olhar de cada criança

 

 

A luz suave da vela

a iluminar o trajeto

e o canto feliz dos presentes

reunindo os afetos

 

No dia seguinte pela manhã,

ao comentar com o pequetito sobre o teatrinho

e mostrar novamente os reis magos com seus presentes,

ele me pergunta diretamente:

– O minino Luluz? Presente? … É bolo?

(…)

Afinal, para que ouro

se a vida é doce?

 

Justamente Natal

Ele ainda não sabe escrever,

tampouco sabe ler (embora, é verdade, tenha a aptidão para ler pensamentos).

Não associa Papai Noel com presentes,

e é capaz de ficar de joelhos na porta de entrada de uma casa alheia

simplesmente admirando uma árvore de Natal.

A cada dia ele nos brinda com uma sabedoria pura de infância,

que ensina jóias de ser como se é.

 

Em um passeio ao ar livre, durante um momento de pulos e correria

em cima de uma rampa revestida de pedras lisas, o tombo foi certeiro.

Mamãe e papai ainda nem haviam tido tempo para avaliar se o filhote havia machucado,

quando um pequetito muito feliz levantou afirmando:

-” Só caiu, papai. Não machucou. Só caiu”.

E continuou correndo.

Que eu possa ser humilde para aprender minhas lições com o coração,

não só com a cabeça,

e que saiba aproveitar todas as chances que a vida apresenta

para que eu siga em frente .

Que eu seja puro, auto-confiante e seguro de mim mesmo

para ser capaz de sentar na soleira de uma porta aberta

(afinal, é uma porta aberta) e admirar uma árvore de natal

apenas por gostar de ver as luzinhas brilhando.

E que, sobretudo, eu possa aprender com meus tombos e levantar sorrindo,

batendo a poeira e lembrando que “só caiu. Não machucou. Só caiu…”

 

 

Um lindo Natal

repleto de significado,

e que a alegria de viver e de se superar a cada instante

seja a nossa ceia mais saborosa.

 

Leãozão e leãozinho

Pequetito passeando com o papai na papelaria, levando a tiracolo seus dois bichinhos de pelúcia favoritos: um pseudo esquilo com pinta de cão husky e um tigre.

Alguns “olá”, “que gracinha”, “qual é o seu nome” e “quantos anos você tem” depois, a moça do caixa pergunta, apontando para o esquilo:

– Quem é esse?

– Leãozinho!

– E esse tigre?

– Leãozão!

(…)

Os fantoches de clips já foram uma brincadeira muito apreciada na minha infância e um dia desses revisitei a idéia inspirada no trabalho do blog MadebyJoel: http://madebyjoel.blogspot.com/2010/12/box-dollhouse-for-duck-duck-green.html

Foi aprovada pelo fã de leões a toda prova…

pequeno dicionário português-bebês

A conquista da fala é de uma profunda beleza e quem tem a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de uma criança pequena sabe bem disso. Há todo um mundo de vocábulos, sons e sílabas que no universo da criança parece ganhar corpo, cheiro, sabor. Há uma sonoridade própria, tão gostosa de ouvir que nos faz sorrir, não só pela conquista propriamente, mas pela delícia de saborear aquele sopro de vida em sons de palavras…

 

Faz lembrar da história de uma amiga contando sobre seu sobrinho de 4 anos na entrevista da escola. Irmão mais velho de uma menininha que começara a balbuciar, lá se encontrava o menininho sendo questionado pela diretora a respeito de quantas línguas ele sabia. Por ter origem cultural mista e morar em outro país ele era, de fato, trilingue. Mas a resposta surpreendeu inclusive a mãe:

– Quatro!

Procurando entender o que o garotinho estava imaginando, perguntaram-lhe quais, no que a resposta veio imediata:

– Português, inglês, alemão e… língua de neném!

Já algumas delícias caseiras foram saboreadas com o acompanhamento de desenhos:

 

João Pulo

Em um desses dias monocromáticos de mês chuvoso,

pairou no ar a pergunta:

O que fazer em um dia de chuva

com uma criança pequena e ativa dentro de um apartamento?

Mais uma pequena coleção de dias chuvosos

e a pergunta ganhou vulto, desfilando soberana:

O que fazer em vários dias de chuva

com uma criança pequena, ativa e desejosa de passeios, dentro do apartamento?

A resposta veio rápida como um raio (e o resultado foi mais para um trovão):

procurar um animalzinho de estimação, claro!

 

Olhando pelo lado prático a idéia seguiu para o tradicional “nada grande ou que dê muito trabalho”, e eis que nos deparamos com a sugestão de um hamster chinês. Do qual, por sinal, não ouvira falar nada a respeito até então. Tomando coragem e seguindo o impulso, fomos à loja de animais.

 

Depois de uma generosa troca de perguntas e respostas com o vendedor, conhecemos finalmente o João Pulo.

Olhamos para ele, ele nos olhou e fomos para casa assim, todos juntos.

A pergunta feita ao vendedor não deixava margem de dúvidas:

– Não entendo absolutamente nada a respeito de hamsters. Eles ficam do tamanho de um porquinho da índia?

Não se pode dizer o mesmo a respeito da resposta:

– Sim, bem, ficam do tamanho deles, não bem um porquinho da índia, tem uma proporção, é, mais ou menos.

Entendendo como um “quase sim”, levamos o hamster.

Primeiro dia em casa, só alegria. O bichinho, ainda estressado do ritmo alucinante em que vivia, demonstrava alguns hábitos diurnos. Tudo ótimo. Tiramos da gaiolinha, brincamos, fizemos carinho.

Mal podíamos esperar para que ele crescesse (na loja vendiam até coleira para passear com o hamster, que a essa altura,  já havia assumido no imaginário o tamanho de um coelho anão)

Para não dizer que não foi feita nenhuma pesquisa, resolvi checar a respeito do bichinho na internet. Algo começou a parecer um tanto quanto estranho… como é que o tal hamster chinês fica entre 10cm e 13cm?

Busco a régua para conferir a medida e certificar-me que em realidade ele já tinha praticamente esse tamanho.

Será que… o João Pulo já é adulto?! Mas se já é adulto… então… ele é um rato! Um rato!

Diante da perspectiva de ter um ratinho em casa, o instinto primário veio a tona e subitamente o que seria uma gracinha, misto de coelho com esquilo, transformou-se em um animalzinho um pouco mais dinâmico e fugidio do que o desejado, especialmente no quesito de ser segurado por mãozinhas de 2 anos de idade… Diante de uma mãe em pânico, que subitamente descobre ser incapaz de colocar o ratinho de volta na gaiola (uma mordidinha no dedo colaborou), o João Pulo resolveu por bem esconder-se debaixo do sofá.

Um pequeno rebuliço tomou vulto na casa, mas por fim o bichinho foi encontrado são e salvo e voltou para a casinha.

No dia seguinte a mamãe já não queria tirá-lo de lá, e nem no outro. Talvez por um receio muito primário, mas possivelmente pelo fato do João Pulo ter decidido, obviamente, apavorar-se ao me ver, ficando deitado de costas, com a barriga a mostra e fazendo um barulhinho um tanto quanto ameaçador se comparado a seu tamanho diminuto.

Depois de muito pensar e muita delonga, decidiu-se devolvê-lo e buscar um animalzinho que efetivamente tivesse uma proporção adequada para brincar com uma criança pequena, e que acordasse antes de meia noite. Munidos do espírito de resolver as coisas, voltamos a loja de animais.

Fazia muito calor e o lugar estava lotado, com um barulho intenso. Quando nos acercamos da gaiolinha de vidro que tinha os outros hamsters, tivemos a certeza de que o João voltaria com a gente para casa… Estavam desmaiados, grudados no vidro e totalmente molhados de suor. Fazer o que?

E foi assim que o João Pulo conquistou nosso lar e nossos corações…

Conformada com o fato do hamster fixar moradia, decidi que teríamos que trabalhar nossas diferenças. Nos primeiros dias foi mais difícil, mas embuída da intenção de flexibilizar meu julgamento a respeito do hamster, tirei o João da casinha, coloquei na mão, cantei mantras. Ele adorou. E de lá pra cá, tem se mostrado cada vez mais mansinho e familiarizado com a dinâmica de casa.

Já o pequetito, que não tem nem nunca teve receio algum, transporta o hamster com muito cuidado para onde bem entende. E foi assim que a família ganhou um pequeno aliado para as tardes chuvosas de nosso apartamento…

Pergunto ao pequetito sobre os sentimentos dele a respeito do hamster:

– Você gosta do João Pulo?

– Sim.

– Ele é seu amiguinho?

– Não.

– O que ele é então?

– Só João Pulo.

 

E assim é.