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Posts com Tag ‘aos amores’

risadinhas, risadelas e a coleção de tiradinhas

Quantas tiradinhas engraçadas ganho diariamente de presente de meu filho de 2 anos (e quase 3 meses), que literalmente “fazem meu dia”… As respostas são tão espontâneas e diretas que possuem uma graça natural.

Ao bater a cabeça em um canto da mesa, Dev Ji se saiu com essa:

– Nossa Senhola! Ôta batida.

(…)

Tocando compenetradamente seu pianinho de brinquedo para o avô,

recebe elogios por sua performance mais suave:

– Nossa, parabéns. Aonde você aprendeu a tocar piano assim?

– Aqui na sala.

(…)

Indagando a respeito de barbas e barbados:

– O vovô tem barba?

– Sim.

– O vovô é homem?

– Sim.

– O papai tem barba?

– Sim.

– O papai é homem?

– Sim. Homem tem barba.

– Eu sou mulher?

(…)

– Morde? Pica? Anda? Voa?

(perguntado a respeito dos insetos)

– Morde? Late? Pula? Dorme? Faz xixí?

(perguntado a respeito dos cachorros) 

 

 

* Dev Ji é apenas um apelido carinhoso, mas que diz muito a respeito dessa alma amada que enternece aqueles que diariamente estão a sua volta…

o pequetito cresceu

Dev Ji, alma amada,

como você cresceu…

 

Tem pouco mais de dois anos agora,

e a sabedoria de uma vida de infância.

 

Dev Ji, alma amada,

você cresceu, eu sei.

Não é mais um pequetito.

 

Eu, sendo sua mãe,

muito resplandecente fico.

Com cada conquista,

com cada sorriso expresso no rosto de quem está ciente

de que deu um passo a mais, um passo a frente.

 

Aprender a firmar o pescoço,

a engatinhar, virar, sentar.

Quanto empenho, quanto esforço,

cada dia uma vitória do agora.

 

 

Você também se reconhece bem

nesse processo de ganhar seu espaço.

Afirma sorriso em grande abraço,

que cresceu,

que quer fazer o possível sozinho

e o impossível daqui a pouquinho.

 

Dev Ji, alma amada,

seus primeiros passos…

Ah, tanto se fala sobre os primeiros passos,

mas não há como negar a emoção absoluta da primeira corrida…

E os pulinhos? E a dança?

E largar o peito, começar a comer sozinho,

abandonar as fraldas,

subir nas cadeiras,

descer as escadas sem dar a mão,

descobrir como se acende e apaga a luz?

As palavras… ah, elas…

que colorido especial adquiriram ao longo desses 2 anos.

Nunca imaginei verdadeiramente

que delícia seria ouvir essa vozinha de criança

o risinho faceiro

a luminosa face de amor verdadeiro

seu “oi” em cochicho de ouvido

como o mais caloroso e alto grito de “eu te amo”

tudo expresso em olhar

impresso em sentido e sentimento

 

Dev Ji, alma amada

te amo em todas as línguas

te amo em todas as formas

que o amor sabe conhecer

 

Justamente Natal

Ele ainda não sabe escrever,

tampouco sabe ler (embora, é verdade, tenha a aptidão para ler pensamentos).

Não associa Papai Noel com presentes,

e é capaz de ficar de joelhos na porta de entrada de uma casa alheia

simplesmente admirando uma árvore de Natal.

A cada dia ele nos brinda com uma sabedoria pura de infância,

que ensina jóias de ser como se é.

 

Em um passeio ao ar livre, durante um momento de pulos e correria

em cima de uma rampa revestida de pedras lisas, o tombo foi certeiro.

Mamãe e papai ainda nem haviam tido tempo para avaliar se o filhote havia machucado,

quando um pequetito muito feliz levantou afirmando:

-” Só caiu, papai. Não machucou. Só caiu”.

E continuou correndo.

Que eu possa ser humilde para aprender minhas lições com o coração,

não só com a cabeça,

e que saiba aproveitar todas as chances que a vida apresenta

para que eu siga em frente .

Que eu seja puro, auto-confiante e seguro de mim mesmo

para ser capaz de sentar na soleira de uma porta aberta

(afinal, é uma porta aberta) e admirar uma árvore de natal

apenas por gostar de ver as luzinhas brilhando.

E que, sobretudo, eu possa aprender com meus tombos e levantar sorrindo,

batendo a poeira e lembrando que “só caiu. Não machucou. Só caiu…”

 

 

Um lindo Natal

repleto de significado,

e que a alegria de viver e de se superar a cada instante

seja a nossa ceia mais saborosa.

 

De papais e noéis – histórias do pequetito

Caminhando pelo shopping (já no mês de novembro)

vê o nosso pequetito um senhor-papai-noel.

Brancas barbas, largo abraço, mas nada de ho, ho, ho.

Continuando nosso trajeto, alta árvore e seus enfeites,

e novamente o senhor de vermelho veludo desfilando o ar da graça.

Em forma de grande boneco, de bonequinho e pingentes,

de feltro ou tecido, cantarolante ou desafinado.

Por que será afinal,

que tantos assim apareceram de repente?

Com dois aninhos agora completos, não sabe nosso pequetito

qual é a função exata desse senhor que se faz tão presente.

Ouviu que era Papai Noel,

acredita ser o Papai do Céu.

Ao entrar em uma loja, mais versões, de outras cores.

Pega um aqui, segura outro acolá. E define, em sua sabedoria infantil,

tudo que compreendeu sobre essa misteriosa figura,

comparando o bonequinho de tecido e o vovô senhor do abraço:

– Esse Papai Noel não fala. O alto fala.

E está dito.

 

Pequetito e suas histórias

Poesia maior não há do que aquela que ganha o mundo nos lábios da criança pequena que aprendeu a falar. Em historietas diárias ouve-se toda sorte de delícias que fazem enternecer o coração. Com o pequetito não é diferente,  todo dia ele surge feliz na nossa frente, cantando prosa com a bossa que lhe é peculiar.

 

Desse pote de tesouro, ouro arco-íris que recebemos a cada instante, catamos as pérolas atiradas ao nosso mar.

É a vida, e é bonita, sim. E nesse embalo vamos…

Ao acordar do sono da tarde, depara com uma abelha dentro do quarto, que é acompanhada com muita atenção.

– Mel.

– A abelha faz mel?

– É.

– Quem te ensinou que a abelha faz mel?

– A vovó!

(…)

Em cima da cama, o pequetito fica acocorado sobre um potinho de plástico.

– Cócó (galinha).

– Está botando ovo?

– É. Ovo.

– Quem te ensinou que galinha bota ovo?

– A Nem.

– A Edilene?

– É.

– Ela te ensinou quando vocês foram levar comidinha para as galinhas?

– É.

– Então a vovó te ensinou que a abelha faz o mel, a Edilene ensinou que a galinha bota ovo. E a mamãe, ensinou o que?

– Giz! (ensinou a desenhar…)

(…)

– A abelha faz o mel da flor?

– Não.

– A abelha vai na flor e depois faz o mel?

– Não.

– Então a abelha vai aonde para fazer o mel?

– Luz! (por causa das mariposas que ele viu um dia desses rodeando a lâmpada da cozinha)

***

Explico que criança pequena não deve ficar perto do fogão.

-Só a mamãe pode mexer no fogão, tá? O pequetido não, só a mamãe.

– Papai?

– Sim, o papai também pode.

– Vovó?

– Sim, a vovó também mexe um pouco.

– Vovô?

– Sim, um pouquinho o vovô também mexe.

– O Fá?

– O Fá também mexe um pouco, mas só de vez enquando…

– Tatá?

– Sim…

***

De uma feita, aparece o pequeno com um objeto de vidro nas mãos.

– “Ué, onde você conseguiu isso?”, indago.

-“Futçando gaveta.”

***

Ao ser cumprimentado pelo aniversário de dois anos, logo pela manhã:

– Parabéns, feliz aniversário meu amor!

– A vovó tá?

– Sim, a vovó está.

– Tem bolo?

– Sim, tem bolo.

(…)

Vai para a sala e um ambiente enfeitado de balões o aguarda, os presentes dispostos no chão, sobre um colchonete.

– Querido, o que você está vendo?

– Balão!

– E além de balão, o que mais?

E apontando para o outro lado:

– Balão!

– Sim, mas além de balão, o que mais você está vendo?

Olha para o chão e conclui certeiro:

– Balão!

(…)

Ao receber o primeiro presente, embrulhado em um vistoso pacote:

– Bolo?

– Não meu bem, este é um presente, ainda não é o bolo.

(…)

Ao receber outro presente, em um embrulho ainda maior:

– Bolo?

(…)

Passando pela cozinha, depara finalmente com algo que lhe aguça os desejos, e abre um sorriso de ponta a ponta:

– Tem booooooloooo!

– Sim meu anjo, mas é para depois.

– Neném qué. Poquinho?

***

Correndo com todo o fôlego dos pulmões, dispara, gritando:

– Gol, gol, goool!

Nisso, a ação é interrompida por um nada singelo tombo,

barriga no chão e pernas para o ar, e a avaliação instantânea:

– Não gol…

 

 

para minha flor vagalume

Sem bem perceber

o caminho entrecortou-se

em uma viagem inesperada

pulsante destino revelado ao acaso

segredando melodias iniciadas

De surpresa em surpresa

fez-se amor presente

 

de presente em presença

tornou-se constante

 

de constância e entrega

fez-se história


de riso

de choro

de saudade assumida

lembrança- brincadeira

força

graça

divertida descoberta

de nuvens plúmbeas

e manhãs ensolaradas

flor-vagalume

brilha meu sol

brilho minha lua

beijaflor ao vento


ensaio fashion minimalista by tsuruhaus

 

 

na trama trançada

de sua transparente graça

branca veste lhe basta

 

 

leves miudezas serenas

de tranquilas pregas

e corriqueiros arremates

 

 

algodão puro

sem dourados quilates

 

a simplicidade de ser

o que sua alma pretende

belo desfile de si

a si mesmo lhe rende

 

 

eis a beleza

de ser o que se é

com a felicidade

que lhe convém

 

Péto

Já no primeiro abraço,

ao receber o neném nos braços,

o inesperado: um jato.

Surpresa! Bexiga de recém

nascido também esvazia.

E com as descobertas, mais e mais

a cada dia, menina-neném crescia

e um novo papai nascia.

No aprender de ambos, dúvida e apoio.

A lição fundamental de que sempre é

possível, desimportando o tamanho do desafio.

De um lado, choro. De outro, consolo:

é mole pra nós”, repetia.

Fez-se maior a criança, muito na escola

demandando. E o pai, apoio e solicitude,

pondo a prova a criatividade

nos muitos projetos mirabolantes.

Menina-moça, outros tempos,

e a indescritível candura e paciência

de aguardar um pouco mais,

sentado no carro madrugada adentro

enquanto a festa se desenrolava

só mais um pouquinho”.

A confiança, os valores, a verdade

estampada em cada atitude.

As risadas, as histórias,

ah, tanta coisa…

Pai, papai, parabéns.

Que venha sempre bem vinda

a nova experiência,

e que a vida continue

a nos instigar diariamente,

afinal… é mole pra nós…

nascente

 

aos bem queridos

um bem querer flor-poesia

vinde lindo o novo dia

 

ao choro e sorriso novo, saúdo!

Saudade ritmada

também faz sinfonia

 

coração de criança

batendo em novo compasso

pulsa papai e mamãe

no pulsar de um grande abraço

 

recém-filho

em suas primeiras naveganças

imerso em um novo mundo

em confiança se lança

 

vinde bem vindo Bernardo

vinde bem vindo João

vivente poesia infinita

em sua perfeita criação

 

e a todos que na poesia residem

e que já nasceram um dia

bebês que também já foram

vivam e vibrem alegria

oma

 

No azul intenso de seus olhos

 

a profundidade de um oceano de existência.

 

A essência d´alma dispensa qualquer tradução.

 

É amor, em todas as línguas.

 

 

Oma Mariana

Oma Mariana, minha vovó, é uma imperturbável otimista. Mãe de 10 filhos, mais um punhado de netos e bisnetos, essa senhora de memória de ouro e bençãos que protegem gerações costuma reagir às intempéries da vida com determinação e entusiasmo.

Com quase um século de aniversários comemorados, aos vinte e poucos anos já passou pela experiência de trocar de país para viver possibilidades bem distintas aqui no nosso Brasil de todos os santos. Saiu da Austria no período entre guerras para acompanhar um amor que nada teve de passageiro e que se tornou o pai de seus filhos – e para minha sorte, meu avô. Deixou com a família uma saudade do tamanho do oceano e partiu sozinha, de navio, com a cara e a coragem.

As barreiras do clima, da língua, assim como as dificuldades naturais na criação dos filhos e a labuta diária na colônia, nada disso me foi possível perceber nela como fardo. Percebia apenas o evidente: o jardim multicolorido cultivado com esmero, a polenta quentinha feita no fogão a lenha como que a dar bom-dia ao estômago guloso de afeto de vó, as musiquinhas entoadas em um dialeto regional que hoje quase se perdeu no tempo. E o tratar das galinhas, o ursinho de crochê tricotado com carinho e outros tantos mimos de bem querer. Hoje em dia, no alto de seus 97 anos, afirma que preocupa-se sim, com o dia em que a velhice chegar… Cá pra nós… chega não.

 

Mantendo e desafiando tradições, essa Oma muito querida continua dando notícia de tudo e de todos. Amante da troca de notícias por correspondência, após centenas que foram trocadas ao longo dos anos, não se faz de rogada: para visualizar fotos pede que sejam enviadas pelo computador mesmo, por que assim é mais prático e rápido. Para quem acompanhou o florescimento de tantos inventos e mudanças ao longo de um século, desde a profusão de geladeiras e televisores até a atual discussão a respeito do aquecimento global e do ecumenismo religioso, ter a “cabeça aberta” continua sendo um elemento fundamental.

Alguns segredinhos básicos ela até deixa passar: ter flexibilidade para não se intimidar frente a mudanças. Encarar os desafios como fatos cotidianos e naturais. E sobretudo, nutrir sempre muita gratidão pela vida, reconhecendo a felicidade de cada dia.

 

Na experiência dela esses conceitos tornaram-se mais do que palavras, adquirindo vivência e veracidade. Pura e simples. Em uma conversa com o irmão caçula pouco tempo atrás, descobriu que este havia parado de trabalhar na lavoura de maçãs para ficar mais com a esposa, que ficou doente e dependente de seus cuidados. E que se tornara agora seu motorista particular, levando-a pra lá e pra cá como ela desejasse. Assim como a irmã mais velha, ele também esbanja alegria, agradecendo a possibilidade de ser útil à companheira de tantos anos.

Feliz ao contar-nos essa história, minha avó completou: é muito bom realmente, pois ele acabou de renovar a carteira e aos 90 anos muita gente acaba não renovando mais.

Até poucos anos atrás a Oma era, entre outras tantas coisas, voluntária no asilo da cidade onde mora, pois a satisfazia “alegrar as velhinhas”, como nos disse certa vez.

– Mas mãe, não são todas mais novas do que você?”, questionou uma das filhas.

Depois de um tempinho de reflexão, respondeu “É mesmo… mas a cabeça… aí está a diferença”.

Sim. A servir aos outros com alegria e manter uma mentalidade positiva faz realmente a diferença.