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Posts da categoria ‘poetica’

revoada

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Para dias de tão sentimento

fora vento

dentro quietude

eu no centro do mundo

de mim

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versos inversos

regando a alma

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– “Isso não é chuva, mamãe. O céu é que está regando a janela. A mão do céu está com uma mangueira molhando pra baixo…”

a salada nossa de cada dia

a Rosa rosa

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hoje ganhei um carinho corrido,

serelepe feito de menino a galopar com seu tesouro abraçado entre os dedinhos da mão,

tesouro rosa cor de rosa

colhido por entre galhinhos de flor

que enroscavam a vontade de surrupiar um pensamento de passarinho beija-flor

só para aprender a soltar um beijinho ao vento

o pequeno grande mágico

Há dias que parecem mágicos, brandos, doces,

dias embalados por uma calma luz de sol que beija a brisa

e abraça nossos desejos de bem querer canções e carinhos

e nossa vontade mais terna de receber um afago.

Nesses dias abençoados

 temos a certeza de que tudo está como deveria estar,

fluindo com alegria em cada passar de horas

e com a delicadeza própria do existir.

Ao entrar no quarto, meu querido (agora com pouco mais de 3 anos) anuncia que vai fazer uma “mágica”:

Com as mãos fechadas em frente ao peito vai abrindo os dedos lentamente,

guardando um segredo bem segredado, como convem a todo mágico que se preze.

Eis que surge no centro das mãos as palmas vazias,

e em meio ao sorriso circunspecto, um quase sussurro anuncia:

“- Nas mãos têm luz…

Chove luz lá onde o urso polar mora…”

Ainda escuto meu pequeno mágico proferir suas encantadoras palavras:

“- Abricadaba!

Olho de água!”

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florescer agradecer

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Junto com as romãs e morangos do jardim floresce em mim

uma vontade indizível de reconhecer todas as bençãos que me cercam.

De acordar de manhã pressentindo o inusitado de cada dia,

a originalidade de cada respiração.

De agradecer profundamente

cada cantar de passarinho no alto de minha janela,

cada desabrochar de flor de infância,

cada sorriso, amigo ou desconhecido,

todas as risadas de criança,

todos,

tudo.

um dia verde

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verde vontade de brincar com as cores…

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Balé alimentar

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Qual é a boca que come?

Qual é a boca que tem fome?

A boca do olhar,

a do bem estar,

a boca do bem sentir,

do digerir,

do bem amar.

A boca da alma,

a do prazer,

a boca do ser.

A boca do servir,

a de deglutir,

de mastigar.

A boca de engolir,

de simular,

a de falar.

A boca impulsiva,

a seletiva,

a boca gourmet.

A boca da sensibilidade,

a da criatividade,

a boca da milimétrica medida,

a boca desmedida,

a boca passional,

cirscunstancial,

emotiva.

Comer em harmonia

saboreando cada pedaço,

permitindo espaço para respirar,

para perceber as sutilezas do alimento

cuidadosamente escolhido,

abençoado e preparado.

Eis a melodia de

meu alimento-poesia,

dança sagrada onde o mundo

se traduz em meu próprio corpo.

A cada movimento,

mastigo o mundo.

Transformo o alimento em mim mesmo.

Reinvento, a ele e a mim.

A energia da vida

rodopia em minhas moléculas.

Alimentar-se de maneira consciente.

Precioso gesto

de auto-apreciação.

Como bailamos,

somos,

e como somos,

vivemos.

E então veio o dia e, com toda a alegria, ele me trouxe o sol…

 

parabéns meu filho!

Meu filho amado,

filho querido,

com força e graça

você completou 3 anos de vida.

Com honra e respeito

trilhamos juntos esse caminho,

tão repleto de descobertas,

tão rico em aprendizados…

Sim, houveram vezes nas quais nos visitou um certo frio na barriga,

algumas dúvidas maternas e um punhado de flexíveis certezas.

E também muita intuição para “dar conta ” dessa experiência

que abarca o nosso mundo e apresenta um novo rumo à existência.

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Que eu possa sempre oferecer-lhe apoio,

carinho, cuidado e amor.

Que eu seja grande o bastante para o abraço mais largo,

e pequena o suficiente para ter humildade em reconhecer

que as vezes não terei todas as respostas na ponta da língua.

Que eu possa ser tão forte

a ponto de confiar no fluxo e deixar que você sorria mais alto,

balançando com ousadia no topo de uma árvore imensa

e equilibrando-se em suas escolhas mais originais.

Que você possa escalar a montanha mais alta

só para sentir a brisa no rosto, se assim o desejar.

E que quando você precisar de abrigo

eu esteja a seu lado para oferecer aconchego e

para rirmos juntos de todas as peripécias.

Que a vida lhe seja vasta e irresistível,

e que lhe baste ser isso tudo a que está destinado a ser:

plenamente você.

Te amo, meu filho.

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– Eu tô de “bem óculos“. Eu tô vendo lá longe, no céu!

(e coloca um papelão na frente do rosto criando um binóculos que permite fantasiar muito além)

– Olha a raposinha na luz!, diz apontando para a mariposa que estava a rodear a luminária…

Ao ver o vídeo de um golfinho brincando com um gato:

– O folguinho, que engaçadinho ele…

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*a bola de meia bordada com tanto capricho foi presente de aniversário da escola, o bonequinho maior foi confeccionado com carinho pelas mãos habilidosas da Kelly e o menor, de macacão vermelho, é do atelier de bonecos E.V.I (presente do Gabriel)

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Quem quiser participar do sorteio do Livro das Perguntas (e do marcador de livro – que ainda está sendo confeccionado…) confira o post: https://tsuruhaus.com/2011/10/27/sorteio-no-tsuruhaus-livro-das-perguntas/

É até o dia 7 de novembro.