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Posts da categoria ‘poetica’

diáologo de pés descalços

pés

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Aonde mora a canção da alma?

Em que chão batiza suas danças?

Qual a roda de ciranda que na menina balança as tranças?

Qual a cor do sorriso do menino que se descobre em um novo giro?

Como se equilibra o primeiro passo descalço no encalço do novo caminho?

A quem honramos o caminhar de um novo menino?

Qual o tamanho do abraço apertado que descobre surpreso a vastidão do amor?

 

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Minha casinha de sapê…

Casa

 

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cresce o menino em suas artes,

cria e recria malabarismos.

corta a madeira, pinta, cola.

Faz do martelo e do prego

grandes companheiros de jornada e aventuras.

cresce o menino em sabedoria e escolhas,

equilibra aprendizados na corda bamba,

inventa um novo passo de samba,

ensina a mãe a repensar conceitos,

mostra como piscar de outro jeito.

cresce o menino, cresce. São quase 6 anos vividos.

Filhote de longas asas,

labuta o próprio ninho,

abre espaço com garra,

anseia o próprio destino.

criativo menino,

menino que sonha e age,

que coloca o coração na ação,

que acalenta a fantasia com o fazer

das próprias mãos.

Cresce menino, cresce.

E que o brilho de sua própria luz

intensifique amor para o mundo inteiro.

 

 

Como será que conseguem?

Como será que conseguem?

 

Assistindo a uma bela apresentação musical, fiquei simplesmente extasiada com a genialidade humana. Como será que algumas pessoas conseguem ter tanta criatividade, tanta precisão, tanta habilidade?

Como é que um percussionista consegue bater uma baqueta com tanta rapidez? E como ele consegue deixar a baqueta de lado e dar um show usando nada mais que as próprias mãos?

Como, além de tocar o instrumento com perfeição, ele consegue criar um instrumento novo a partir de materiais impensáveis?                      

E como, além de tudo isso, ainda encontra tempo para ensinar o que sabe para crianças e jovens carentes?

Como é que algumas pessoas podem ter um ouvido tão apurado a ponto de perceber a melodia dos harmônicos soando no universo?

E como que alguns bailarinos conseguem dobrar, torcer e girar o corpo com tanta delicadeza?

Como que certas pessoas parecem ser líderes natos, percebendo logo uma maneira de iniciar uma nova ação em prol da comunidade?

De onde vem a capacidade de mobilizar as coisas e fazer acontecer algo tão grandioso como adotar uma criança chinesa abandonada em um orfanato?

De qual lugar surgem os ímpetos e as gentilezas de atitudes como a de uma senhora que mora perto de um parque municipal e que, todos os dias, prepara café com pão para os moradores de rua?

E como é que alguém consegue sobreviver sendo morador de rua?

Como é que alguém consegue equilibrar-se na corda bamba?

De onde tiram coragem de viver as pessoas que estão sujeitas às guerras?

Como é que se motivam aqueles que aprenderam a fazer diferente?

Qual força impele a magia da tinta do poeta que transcreve as durezas do mundo a partir da ótica de sua beleza única?

Como aprendeu a criança o equilibrio das próprias pernas para dar os primeiros passos?

Com qual força é alimentada o extraordinário cotidiano em todas as suas possibilidades?

Como, enfim, fazemos o que fazemos, todos os dias?

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* texto escrito em homenagem ao extraordinário que reside em cada um de nós

um colar de contas para mamãe

Para minha mãe eu queria um colar de contas

as mais bonitas que eu já vivi,

repleta de memórias belas e nobres

com o frescor e a inspiração

daquilo que o coração acalenta

e  a alma apraz,

como a poesia frágil de uma flor desabrochando

ou o colorido imperativo de um campo florido

a delicia vivida de uma fruta madura colhida no pé

o encantamento especial do primeiro desenho da criança

a alegria satisfeita de uma pessoa dançando com vontade

a dança da voz ao se fazer cantar

o farfalhar das arvores ao ouvir a cantoria dos pássaros pela manhã

uma cena cotidiana que enternece

o olhar que percebe o belo

o elogio no momento preciso

o saber ouvir generoso de quem percebe o outro…

Preencheria eu com estas contas

um comprido imenso colar,

como se fossem contas de um rosário em prece

oferecendo as orações diárias de um existir

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Chuva de folhas

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Saiu a gritar a plenos pulmões, alardeando uma chuva de folhas.

Menino, não conhecia o vento.

Sem seu consentimento, vívidas e impenetráveis, as folhas chovidas traziam reflexos de céu.

Nervuras flexíveis de altitudes caídas, indicando vontades que não cabiam em sua mão.

Estiveram no alto da vida, dando margem às sombras, sem descanso ou dilema. Apenas existindo.

Suas desconhecidas memórias no chão insondáveis, precedendo as sementes que viriam a seguir. Adubado estavam um ser-não-ser.

Saiu a gritar a plenos pulmões, anunciando o sol que pretendia nascer.

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– Mamãe, qual música que eu mastiguei?

solar

relembrancias de um “camino”

compostela 216

Camino de Santiago

.

Caminho para si mesmo

Caminho de volta ao umbigo

Caminho para fora do umbigo

Caminho para o auto conhecimento

Caminho para o conhecimento do outro

Caminho para a compreensão do outro

Caminho em espiral

para o centro de tudo.

Há início?

Há fim?

.

Para onde caminha?

Quem caminha por mim?

Quantos passos para chegar a mim mesmo?

Passos tantos

passos muitos

movimento

Pés que carimbam o chão

Bastões que carimbam pedras

Olhos que registram detalhes

Comer

Dormir

carimbos na credencial

Stamp collectors?

Caminhar

Dor

Não dor

Experimentação

Experiência

Gratidão