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Posts da categoria ‘historietas’

besôlo barrom e outras cores

Entre o azul e o amalelo

o rosa, o vêde e o vemêlho

o preto e o banco

adoro mesmo o barrom…

afinal, se marrom é cor de barro,

bem pode também ser barrom…

 

E essa cor tão de terra

de floreiras e jardins 

ganha seu máximo de charme

quando  o pequeno passa pela cozinha

procurando todo afoito

pelo besôlo barrom…

 

*a imagem do post é de autoria do pequetito, que se empenhou com afinco para desenhar o Besôlo Beto Barrom (tem até nome o bichinho…)

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De papais e noéis – histórias do pequetito

Caminhando pelo shopping (já no mês de novembro)

vê o nosso pequetito um senhor-papai-noel.

Brancas barbas, largo abraço, mas nada de ho, ho, ho.

Continuando nosso trajeto, alta árvore e seus enfeites,

e novamente o senhor de vermelho veludo desfilando o ar da graça.

Em forma de grande boneco, de bonequinho e pingentes,

de feltro ou tecido, cantarolante ou desafinado.

Por que será afinal,

que tantos assim apareceram de repente?

Com dois aninhos agora completos, não sabe nosso pequetito

qual é a função exata desse senhor que se faz tão presente.

Ouviu que era Papai Noel,

acredita ser o Papai do Céu.

Ao entrar em uma loja, mais versões, de outras cores.

Pega um aqui, segura outro acolá. E define, em sua sabedoria infantil,

tudo que compreendeu sobre essa misteriosa figura,

comparando o bonequinho de tecido e o vovô senhor do abraço:

– Esse Papai Noel não fala. O alto fala.

E está dito.

 

o humor de um miau

olha assim

como quem não quer nada

recusa mesmo um prato de sopa

mingau não quer

não bebe água

só tem humor

para chocolate quente

 

Pequetito e suas histórias

Poesia maior não há do que aquela que ganha o mundo nos lábios da criança pequena que aprendeu a falar. Em historietas diárias ouve-se toda sorte de delícias que fazem enternecer o coração. Com o pequetito não é diferente,  todo dia ele surge feliz na nossa frente, cantando prosa com a bossa que lhe é peculiar.

 

Desse pote de tesouro, ouro arco-íris que recebemos a cada instante, catamos as pérolas atiradas ao nosso mar.

É a vida, e é bonita, sim. E nesse embalo vamos…

Ao acordar do sono da tarde, depara com uma abelha dentro do quarto, que é acompanhada com muita atenção.

– Mel.

– A abelha faz mel?

– É.

– Quem te ensinou que a abelha faz mel?

– A vovó!

(…)

Em cima da cama, o pequetito fica acocorado sobre um potinho de plástico.

– Cócó (galinha).

– Está botando ovo?

– É. Ovo.

– Quem te ensinou que galinha bota ovo?

– A Nem.

– A Edilene?

– É.

– Ela te ensinou quando vocês foram levar comidinha para as galinhas?

– É.

– Então a vovó te ensinou que a abelha faz o mel, a Edilene ensinou que a galinha bota ovo. E a mamãe, ensinou o que?

– Giz! (ensinou a desenhar…)

(…)

– A abelha faz o mel da flor?

– Não.

– A abelha vai na flor e depois faz o mel?

– Não.

– Então a abelha vai aonde para fazer o mel?

– Luz! (por causa das mariposas que ele viu um dia desses rodeando a lâmpada da cozinha)

***

Explico que criança pequena não deve ficar perto do fogão.

-Só a mamãe pode mexer no fogão, tá? O pequetido não, só a mamãe.

– Papai?

– Sim, o papai também pode.

– Vovó?

– Sim, a vovó também mexe um pouco.

– Vovô?

– Sim, um pouquinho o vovô também mexe.

– O Fá?

– O Fá também mexe um pouco, mas só de vez enquando…

– Tatá?

– Sim…

***

De uma feita, aparece o pequeno com um objeto de vidro nas mãos.

– “Ué, onde você conseguiu isso?”, indago.

-“Futçando gaveta.”

***

Ao ser cumprimentado pelo aniversário de dois anos, logo pela manhã:

– Parabéns, feliz aniversário meu amor!

– A vovó tá?

– Sim, a vovó está.

– Tem bolo?

– Sim, tem bolo.

(…)

Vai para a sala e um ambiente enfeitado de balões o aguarda, os presentes dispostos no chão, sobre um colchonete.

– Querido, o que você está vendo?

– Balão!

– E além de balão, o que mais?

E apontando para o outro lado:

– Balão!

– Sim, mas além de balão, o que mais você está vendo?

Olha para o chão e conclui certeiro:

– Balão!

(…)

Ao receber o primeiro presente, embrulhado em um vistoso pacote:

– Bolo?

– Não meu bem, este é um presente, ainda não é o bolo.

(…)

Ao receber outro presente, em um embrulho ainda maior:

– Bolo?

(…)

Passando pela cozinha, depara finalmente com algo que lhe aguça os desejos, e abre um sorriso de ponta a ponta:

– Tem booooooloooo!

– Sim meu anjo, mas é para depois.

– Neném qué. Poquinho?

***

Correndo com todo o fôlego dos pulmões, dispara, gritando:

– Gol, gol, goool!

Nisso, a ação é interrompida por um nada singelo tombo,

barriga no chão e pernas para o ar, e a avaliação instantânea:

– Não gol…